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Frutos da madrugada

Na hora morta da madrugada
Nesta rua semi-deserta,
Nossos passos ecoam:
‘Tacos na calçada’
O tempo é ausente,
A lua é o ventre,
O riso é a flor
Que consente a fecundação.
O orvalho,
Ungindo nossos corpos,
Óvulo e líquido seminal
Gera seus frutos, antes do dia raiar.
Abanda-se do abraço
E projeta no espaço
Mil estrelas, em explosão.
Escrito por Jeanete Ruaro às 11h37
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Fragmentos de tua ausência

As tangerinas amarelecidas opam-se sobre o solo
No interior, já embolorado
O suco chora a ausência do teu sorvo.
Moscas pululam e espreitam
A temporã,
Sabedora que o suave toque de tuas mãos não virá despi-la,
Guarda no ventre seco, sementes estéreis.
Dar-se-á virgem ao solo.
Moscas pulularão,
Será húmus. Sem brotos.
O cinamomo desavisado
Ondeando na brisa, expande servilidade à tua demora.
Umbrela frondosa. Sombra
Derramada em vão.
Pois já és luz. És espírito.
Espíritos bons são luzes e não gostam de sombras.
Meus olhos,
Não abdicam da servilidade de procurar-te pela imensidão do mundo.
A cada ponto luminoso
Uma inquisição: És tu?
Um deles tu és. Mas, qual?
Saudosa, vasculho.
Escrito por Jeanete Ruaro às 11h34
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Homenagem

És filha,
Amiga,
Irmã.
Cunhã, tu és.
Logo que adentras pela porta
Teu sorriso amplo me contorna
Esqueço cúmulo-nimbo,
Apago o escuro,e busco na luz, a fé e a forma
Que o amor filial tem
E com toda a forma
De um amor filial,
Teu amor
É
Com afeição lanço-te um beijo
No coração.
Escrito por Jeanete Ruaro às 13h25
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Frete da carruagem do sol (Poetrix).

A carruagem do sol Carrega o frete do verão: Sal nas rodas
Escrito por Jeanete Ruaro às 13h16
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Busca dilatada
Demoro porque
Nunca estás onde te busco.
Te busco minuciosamente
Na colcha de renda que prende a rosa
Em teia de seda
No espaldar do sofá
Te busco entre o veludo e a prata
Nas folhas marcadas
Poesia e prosa
Do teu livro manuseado.
Só o meu verso
Está lá
Te busco
Na beleza do rio que margeia a cidade
No brilho do sol,
Intenso e raro
Imenso e claro
Que fere os olhos, com dor de açoite
Te busco na noite,
E no grito do final da tarde
Que ardente
E covarde, entrega-se a ela
Ao abraço
Sozinha, entrego-me
Ao abraço de meus próprios braços
Pois não estás lá.
Quem sabe te encontro
Na alma desarmada
Que une nossos silêncios
Nas janelas fechadas que fechaste em ti.
J/R 14/12
Escrito por Jeanete Ruaro às 09h40
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Velha bailarina
Não há mais quero-queros
Não há mais os ninhos...filhotes, ovinhos...
Não há mais sementes
Não há mais as espigas do milho maduro
Desmanchando os cabelos. Não há mais anelos
Não tem mais segredos na hora da janta
Não tem mais a criança, nem as canções de ninar
No campo há macega, que outros passos carregam
Com pés diferentes, é estranho pisar
Os arcos da casa, em atrito com o vento
Enquanto espiam pelos buracos do muro,
Sussurram contritos, saudoso lamento
-Algema não tem, mas queremos prender
Em nós, nossa dona menina, com olhar de futuro
A velha e louca bailarina se deixa ficar
Bailando no repuxo
Em poltrona de luxo,
Com ar aquecido,
Condensa a vida em outro buscar
Caneta nas mãos, escrita tão fina,
Se lhe descortina, um passado amoroso
Martelo na alma, martelar doloroso
Segura sobre o peito
O cristal que lhe cai
Do olho ardido, feito bandido
Que a cela do tempo quase sem querer,
Por mais uma vez, deixou escapar.
Escrito por Jeanete Ruaro às 11h52
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Precioso caminheiro

Quando a seiva do amor
Se derrama na estrada
Pedras e pó,
Viram nada
E segue o precioso caminheiro
Pés em bolhas, ele procura rosas
Transmuda o breu em lume
E eis que chegam
Verdade ou miragem,
Sonho ou quimera,
Pétalas, veludo, e perfume
Armistício e primavera.
Escrito por Jeanete Ruaro às 11h50
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Leque da Corte
Se as estrelas, esses cristais gelados
No fim da noite já vão sumindo,
Desejo e ânsia se vêem aplacados
Galga então o azul tão sideral, o sol,
Que em mil faíscas já vem surgindo
E num cortejo de minuetos alados
As borboletas, imitando colibris
Vão beijando rosas... dálias...
Alvos lírios imaculados...
E suas asas, de várias cores tingidas
São os leques da corte
Fechando, abrindo... Fechando, abrindo...
Escrito por Jeanete Ruaro às 11h47
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Profano

Lampejando como dragões sobre vertentes
Encruado em minhas curvas, brancas louças
Eras um deus, que chama a chuva a derriça
Com teu rosário inflamado de cobiça.
Do sofá que acalentava nossas peles
Com o estribilho secreto das almofadas
Resta o pó. Um ateu, nas listras profanadas.
Estou sem ti, nas noites tão insanas
E insone uivo à lua, como a querer prendê-la.
Se não és tu, que seja ela. Em meu sofrido sentimento,
Serei a loba, e a lua, minha amada estrela.
Escrito por Jeanete Ruaro às 11h46
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O jeito do teu coração
Percorri com meu olhar,
Cada centímetro do teu corpo
Na tentativa de guardar-te
Construído dentro de mim.
Percorri teus olhos, túrgido mar
Com algumas ondas furiosas.
Teus lábios, carne macia e úmida
Seiva, brotando hortelã e menta
Teus braços, calorosa proteção
Agasalho dos meus desejos aplacados.
Tuas mãos, dedos longos, carícia plena
A dedilhar sobre as minhas, pequenas.
Percorri com meus ouvidos,
Cada timbre da tua voz,
Imaginando guardá-la comigo,
Se houvesse um dia, ruptura entre nós.
De tudo lembro ainda. Lembro bem
Mas o tempo, é um turbilhão
E eu me perdi de ti,
Na espiral que o tempo tem
Tento... tento... e é em vão
Não lembro qual jeito tinha,
O teu coração.
Escrito por Jeanete Ruaro às 11h42
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Eu a Filhota

Escrito por Jeanete Ruaro às 11h35
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Eu e o Maridão

Breve apresentação: Nome: Jeanete Born Ruaro
Nasci em uma gélida tarde, no dia 24 do mês de junho de um ano qualquer, em Novo Hamburgo, estado do Rio Grande do Sul. Filha única, de pais agricultores, desde cedo acostumei-me a lida do campo. Garimpar formigas (saúvas) após o plantio da Acácia Negra era uma das minhas especialidades. Hoje, levando a vida no completo sentido urbano, lembro saudosa, em muitos dos meus poemas essa passagem em minha infância e juventude.
Já adulta, aos poucos, com o incentivo da filha, a poesia se fez cada vez mais presente em minha vida. Em 2002 tive a grata satisfação de ser agraciada com o terceiro lugar em concurso de poesia pela Litteris Editora, publicado na obra ‘E por falar em amor vol.II.’
Pela mesma editora participo em outras antologias poéticas, com alguns contos.
Procurando por concursos de poesia na web, encontrei a Ponto de Vista Literatura, onde fui agraciada com terceiro lugar em concurso de contos, e na qual posto e tenho feito amigos. Participo também, de Novosautores, outro site de literatura virtual onde fui muito bem recebida. Espero que apreciem o meu singelo blog.
Escrito por Jeanete Ruaro às 11h31
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