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Salpicos cintilantes
Cisquei estrelas
no céu
da tua boca
Salpicos cintilantes
vestem
teu sorriso
amplo,
guardado
no porta-retratos
J/R 30/03/2004
Escrito por Jeanete Ruaro às 22h31
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INTRA

Fecho os olhos
Respiro três vezes
Minha mente me leva
Para dentro de mim.
Examino-me: tumores e cores.
Em meu útero encontro-te,
Posição fetal - branco e carmim-
Vermelho é o meu anseio
Branca, a paz enfim.
Dois corações giram como um.
Perdoe-me o devaneio
Você rodopia...
Fluxão...Dentro de mim.
J/R 20/11/03
Escrito por Jeanete Ruaro às 23h09
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ESTIO
O vento
sacode
o pano
esvoaça
um cisco
plana...
e penetra
na minha íris
seca
É tempo de estio.
J/R 28/03/04
Escrito por Jeanete Ruaro às 16h18
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Hoje

Hoje
Hoje, quero toda alegria da vida.
Quero flores
Rosas rubras, dálias, margaridas...
Quero cores
Suaves, fortes, um arco-íris em mistura.
Quero luzes
A ofuscar-me a vista. Luzes multicoloridas
Quero tua boca: sabor tão forte
E que me invada a música do Norte
Ritmo louco,
Guitarra, soaking drum
Rock pesado, desse teu coração.
Amanhã, se for o caso,
Ouço música sacra,
Um tango, um fado ou um velho bolero
Após tua partida.
27/11 J/R
Escrito por Jeanete Ruaro às 14h27
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Inclemência
No rastro da noite
vi quando vinhas
com teus passos de sombra,
e com teu eco tardio
Açoite lanhando
o lombo do sonho
Na úmida alfombra,
a espada do ódio.
Fio acirrado no esmeril,
insurgiu-se oblonga
confirmando o desafio.
E decapitavas... qual
inclemente soldado romano
o último gesto do meu amor,
negando-me
um último beijo teu.
J/R 24/03/04
Escrito por Jeanete Ruaro às 22h27
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Hoje temos neste blog, algo bem diferente dos habituais e singelos textos e poemas da autora. Temos fragmentos do poema East Coker de Thomas Stearns Eliot. Descendente de emigrantes ingleses T. S. Eliot nasceu no Missouri, em St. Louis Estados Unidos em 1888 e faleceu em Londres, em 1965. The Waste Land, foi a obra de decisiva importância para a formação da mentalidade poética contemporânea e o consagrou como um dos expoentes da literatura de língua inglesa deste século.
EAST COKER
Em meu principio está meu fim. Uma após outras
As casas se levantam e tombam, desmoronam, são ampliadas,
Removidas, destruídas, restauradas, ou em seu lugar
Irrompe um campo aberto, uma usina ou um atalho.
Velhas pedras para novas construções, velhos lenhos
Para novas chamas,
Velhas chamas em cinzas convertidas, e cinzas
Sobre a terra semeadas,
Terra agora feita carne, pele e fezes,
Ossos de homens, e bestas, trigais e folhas.
As casas vivem e morrem: há um tempo para construir
E um tempo para viver e conceber
E um tempo para o vento estilhaçar as trêmulas vidraças
E sacudir as tapeçarias em farrapos tecidas
Com a silente legenda.
Em meu princípio está meu fim.
Escrito por Jeanete Ruaro às 09h16
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A verdade do silêncio

A verdade do silêncio
Quando milhares de sons embalarem a lua
Quando milhões de vozes
Se derramarem sobre o mundo,
Talvez nunca me digas que teu amor é realmente meu.
E eu não te deixarei ir
Mas quando o silêncio tocar tudo que é real,
E teu canto de amor ecoe, e escorra
Suave por meus tímpanos
Adentre a ermida, e seja
Como um hino, ao prior em confissão
Então eu te pedirei que vás
Prefiro a verdade do silêncio
Que a mentira alardeada num confessionário.
15/09/03
Escrito por Jeanete Ruaro às 09h25
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Por um fio...

Que amor é esse que lapida o olho como um brilhante,
e alonga o cílio da ausência?
Que amor é esse, que tatua a pele com a negra estampa
da inconstância?
Que amor é esse que cicatriza da flor o perfume, e abre
feridas lanhando-lhe as pétalas com unhas de ciúme?
Que amor é esse? se infiltra, faz das veias calha,
e baila a dança do obstetra; cordão umbilical sobre a seda da navalha
Secção, para libertar.
Abdico desse amor, ainda que soluce, ondas bravias e salgadas
emersas do mar de mim.
21/03/04 J/R
Escrito por Jeanete Ruaro às 21h38
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Fragmentos: Tua ausência anunciada

Este poema compus na ocasião das exéquias de minha mãe.
Presto assim minha última homenagem
Grossas gotas penduravam-se nas nuvens.
Súplices,
Impeliam a rápida descida das cordas: Cadarço do ataúde
Passado o momento do atavio da última rosa,
Liquefez-se
O gigantesco cristal guardado
Era inverno. O gelo infiltrou-se nas veias
Fio cego,
Dissecou; lenta... e dolorosamente
Umbrellas, arco-íris em cor, e muitas íris
Quedaram-se em alas,
Silentes
Ante a última pá
No final da cerimônia
Meus olhos, perdidos no átrio do lugar sagrado,
Timidamente
Encontravam o Criador esculpido à cruz
E mergulhavam úmidos,
Na estranheza da tua ausência anunciada.
J/R 12/01/04
Escrito por Jeanete Ruaro às 21h32
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Quando eu morrer, derribem a saia de uma única vela. Grifem no epitáfio entre as pétalas de pequenina rosa: ‘Aqui está aquela que sempre amou poesia e prosa.’ Todo o meu bairro saberá que são meus, os despojos.
18/03/04 J/R
Escrito por Jeanete Ruaro às 12h55
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Sedna o décimo planeta

Quando a terra
estiver toda aos cuidados da ciência,
e tudo o que existir já tiver
sido encontrado
os rios talvez possam fluir,
sem cercados nem fronteiras.
E o petróleo, esse fruto agreste
possa cair, como gotículas de ouro
sob o côncavo dos céus, sobre todas as cabeças
sem distinção
entre auroras e crepúsculos.
Quando o homem
não tiver mais medo do mundo nem da vida
e a velhice não tiver mais receio do tempo,
o sábio, o operário e o camponês
sem distinção de raça ou cor
invitem pela mesma gramática e idioma
o poeta a exercer seu dom maior:
A orbitar o sol, poetar em Sedna,
o décimo planeta.
16/03/04 J/R
Escrito por Jeanete Ruaro às 12h52
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O poeta e a poesia

O poeta e a poesia
Pelo poeta, a palavra
não surgirá para o poema
com a naturalidade do havido
*
Com símbolos, chaves e metáforas
o dia não será apenas dia
e a noite não será apenas noite.
*
O singular não reverterá ao comum
e em suas veias correrá sempre,
poesia ou prosa
e na secção, rubra rosa será sangue.
J/R 14/03/04
Escrito por Jeanete Ruaro às 22h11
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Sobre os atentados na Espanha

Entre o momento
e a ação
tombam os corpos.
Estilhaços são lâminas
sobrantes ao estrondo
Corpos retalhados
ossos seccionados
olhos, levados ao reino da morte.
Vozes clamam em frêmito
e lábios que antes beijaram,
rezam agora
à pedras quebradas.
E nisto consiste
a hora em que estamos:
Um mundo túrgido por tácitos disfarces
e sigliatica insanidade,
grifando a paz em vermelho sangue.
Escrito por Jeanete Ruaro às 22h10
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Amor sem freio
Encilha teu cavalo alado
E propaga este amor a galope pelo infinito
Mas, deixa este amor livre.
Não lhe apertes o arreio
Não o puxes pela rédea
O amor não gosta de freio
O amor prefere andar solto
Ainda que às vezes, revolto
Não o deixe exposto à maldade
do fuxico alheio.
Ele quer a certeza
Quer a verdade, nua e crua
Ainda que doa.
Ama assim, e faz deste amor o espelho da tua vida.
JR 2002
Escrito por Jeanete Ruaro às 22h32
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Pingente

No rosto
Na maçã,
Minha lágrima.
O açoite
O castigo
O grito
De perda e saudade
Do ombro amigo...
Do abrigo,
Do suave canto
Do acalanto.
Eu, ao léu.
E tu, um pendant!
Suspensa, etérea
Entre sol e estrela
Noite após noite,
Dia após dia,
Mais perto do céu,
Do que eu do mar.
Sobre a prateleira
Ao lado do samovar,
Um calhamaço de jasmim seco
E dois saches mofos, de chá de cidró.
Na minha garganta...
Apenas um nó.
25/10/03 J/R 00h02m
Escrito por Jeanete Ruaro às 12h44
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Este poema é de autoria de minha filha. Com ele, presto minha homenagem a todas as mulheres no Dia Internacional da Mulher. Obrigada “Mana”, por existires.
Enigma
Eu sou a de todos os tempos.
Sem passado,
Sem presente,
E sem futuro.
Venho do início,
Vou ao fim
Em todas as eras
Em todas as partes.
Imorredoura e
Inexplicável criatura.
Sou o vento.
Sou o sol,
Sou a chuva.
O ar, eu sou.
Estrelas passaram,
Homens nasceram
E esperanças morreram.
E eu,
Eu permaneço.
Indecifrável
Ventre fecundo,
Que gera cada boca
De cada ser humano do nosso mundo.
Escrito por Jeanete Ruaro às 12h42
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Bilha

Estranha, cheguei
para a glória de tua
Toca-me: e terás
o espanto e o pasmo
de conhecer-me antiga.
Em tua boca, em tua mente
lago, cascata, terra e fonte.
Sob teus pés
moldada simplesmente
sou quem guarda da vida,
toda a semente:
da água que te gerou
e do pó de onde provéns.
J/R 03/2004
Estaremos daqui alguns dias, novamente tal como aconteceu em 1999, com racionamento de água. A escassez de chuva no entanto, não é a única razão. A atual justificativa para o baixo volume do Rio dos Sinos, “são os novos empregos que o rio está tendo”. Segundo fontes informativas, são as plantações de arroz irrigadas que margeiam o rio em Santo Antônio da Patrulha, Rolante e Campo Bom, comprometendo com a eliminação dos banhados, a perenidade do leito. Há alerta também, para a possibilidade de grande mortandade de peixes, principalmente se houver uma enxurrada repentina, e a movimentação dos detritos que são jogados à beira do rio, ou no próprio. É a ação do homem interferindo na natureza, não respeitando justamente, o bem que lhe é mais precioso: a água. Devemos então, utilizarmos o recurso de nossos ancestrais: A antiga e conveniente bilha de barro.
J/R 05/03
Escrito por Jeanete Ruaro às 13h52
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Luar violeta

Esta fase do amor é bonita demais
Posso me transformar em sereia
Jogar o meu charme, escamas na areia
ver refletida da lua cheia, a cor violeta
Derramada seleta: a ti e a mim
Posso ver teus olhos singrando meu corpo
tal qual uma gôndola, cruzando Veneza
Com tua mestria rompendo a represa
unir bem de mansinho, o rio com o mar
Rompendo as nuvens, agradável surpresa,
grossas gotas de chuva explodindo em bolhas.
Nós dois em valente corcel, cavalo com asas
rumando ao infinito. Olhos de fé, corpos em brasas
conjugando unidos, o verbo amar.
J/R 2003
Escrito por Jeanete Ruaro às 12h55
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Entitulado
 Entre engolir a dor .......e soltar a emoção: prefiro você
Pérola incandescente talhada em vestes de dor sem discernimento apenas luz que voga pelas glandulas e acaba em suor pelas mãos.
sorri recicla pinta o desejo a bel prazer.. iter inter interfone intervida internet interamigo interamor interdor! desespero ? intervida.. inter inter inter!
Pérola incandescente madeira de lei em nó.
Andréa Motta 20.02.04
Escrito por Jeanete Ruaro às 12h56
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Hoje é dia de homenagear duas queridas amigas: Terezinha de Lisieux,
que conheci na Ponto de Vista Literatura, e Andréa Mota do site Novosautores.
Às duas meus agradecimentos, pela cessão de seus poemas para postagem.
(De) lírios
lisieux
Olhos insanos
de lua, de flor
fenecem.
Sozinha circulo
Alta te(n)são
Coletiva me misturo
E cato cacos,
que tu espalhas
Escrito por Jeanete Ruaro às 12h55
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