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Escrito por Jeanete Ruaro às 10h36
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VENTO DA DISCÓRDIA
O amor nasce
De pequenos gestos.
Olhos nos olhos,
Mãos que se entrelaçam,
Bocas que abraçam
Línguas sôfregas.
Quando o peito
Já se acha pequeno
Á abraçar tamanho pacote
Chega um chiste...ou da vida um trote...
O mundo nos engole pelos pés
A cabeça ao revés,
Coração em completa
Mixórdia.
Cúmulo-nimbo no céu,
Anoitece.
E vem o vento;
Sempre o mesmo. O da discórdia
10/2003 J/R
Escrito por Jeanete Ruaro às 22h57
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Foto: Gallerylombardi/artist/Maria
Tu, lágrima
Vieste...
Contornando o globo,
salgando a íris,
descendo
a escada da face
Dilatando os poros
e delimitando as fronteiras
das espinhas
Desenhando a tua estrada
por entre o peso da maquiagem
Até repousares afinal
como um frágil
cristal aquecido,
no vão da canaleta
entre meus seios
E ali te quedas, no aguardo
de um movimento meu.
J/R 2004
Escrito por Jeanete Ruaro às 15h37
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CAÇA
Quando não houver mais brilho
Na luz do meu olhar,
Lembra bem:
Não é desgraça
É que o tempo quer ser rei,
E tornou-se ameaça
E se ontem o cacei,
Hoje sou a caça.
J/R
Escrito por Jeanete Ruaro às 09h30
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O dia hoje está cinzento
Chove.
A chuva acompanha a cor
Do meu pensamento
Onde já instaurado o matiz
A tristeza tomou forma
E ditou ao coração sua norma:
Chore por dentro,
E por fora sorria,
Fingindo estar feliz.
22/04/2004
Escrito por Jeanete Ruaro às 10h13
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Gestaltismo azul
Sem pedir
licença
ou conselhos,
há um gestor
poético
azulado
em minha mente.
E um céu
desfolhado
em pedaços,
no azul
outonal
de meus
olhos.
J/R 17/04/04
Gestaltismo=(do alemão Gestald ‘forma’, + ismo.)
Foto intagsolutions colhida na web
Escrito por Jeanete Ruaro às 10h32
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ANTRAZ
Na garganta o nó se desfaz
Devagar,
Como a lenta cura de febre por Antraz.
Febre que sobe e desce,
Vai e volta
Que ocupa tudo envolta
Que penetra em meu corpo
Absorve meu tempo
Deixa-me revôlta
Depois me solta, livre
Pra quê?
Só para gritar ao mundo
Que perdi o teu amor?
2002 J/R
Escrito por Jeanete Ruaro às 10h02
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Ansiosa por
fecundas bolhas,
eu cisco nuvens.
O tom
azul
insiste
em combinar
com meus olhos.
Preciso ensinar ao céu,
que cinza-chuva
também
é bela cor,
e pólen
que fertiliza.
Singelo poema em resposta a e-mail de
Fabrício Carpinejar, renomado poeta
que lançou ontem, com noite de autógrafos
em São Paulo, seu livro de poemas
Cinco Marias. Amanhã, dia 15
estará no Rio de Janeiro, no
Centro Cultural do Banco do Brasil
às 18:30h. Parabéns e sucesso poeta!
J/R 2004-04-14
Escrito por Jeanete Ruaro às 13h46
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Escrito por Jeanete Ruaro às 14h23
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Olhar seco

Escrito por Jeanete Ruaro às 15h24
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Escrito por Jeanete Ruaro às 13h16
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Carência
Antes,
bastava única pétala de rosa
para descrever o amor.
Hoje,
careço ferir os dedos em espinho adulto
para ruborizar o poema.
Adubarei meu roseiral, desfiarei a flor
ainda em botão, e verterei
poesia vermelho-sangue
eternizando o verbo amar.
04/2004 J/R
Escrito por Jeanete Ruaro às 09h29
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Só Deus saberá dar a exata dimensão às minhas rugas.
Aos meus, pincelo-me num auto-retrato
e reverdejo a folha,
na feição recuada.
Não quero verdor e excesso.
Não quero voltar à ciranda.
J/R 04/2004
Escrito por Jeanete Ruaro às 22h09
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Estação temporã
Hoje lembrei do nosso caminho de encontros no inverno.
Vestes pesadas nos cobriam, e olhávamos as árvores despidas pelo outono.
O tempo passa; florescem e desflorescem, árvores e encontros.
Não nos encontramos mais.
Ironia.
Logo agora que faz um calor tremendo, as copas tornaram a vestir folhas e flores.
Insensatez.
Magôo meu corpo com rajadas rarefeitas, e atiro-me dentro do pijama branco.
Sou um anjo destronado do edredom róseo do amor, e me sinto febril, com tua ausência.
O comprimido que incita o sono, imerge na boca sedenta e raspa gritante a traquéia.
Apanho o samovar. O chá acabou, e é tão tarde...
Debruço na janela meu olhar seco vestido de lua minguante, desfraldo a cortina,
e envolvo-a no desflorescer de minha estação temporã.
J/R 15/01/04
Escrito por Jeanete Ruaro às 08h50
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