Mar da Poesia


Ama-me suavemente

Esqueças os lençóis revoltos

Não craves tuas unhas

espinhos lancinantes

do ciúme que te rege,

na minha pele alva

que apenas bem te quer.

 

Abomino os estrondos

dos teus gritos

que ferem meus ouvidos

e ecoam pelo infinito

Guarda pois da maldade,

a clava e a lança.

Sou só amor

e aprecio

a suavidade da mansa fala

 

Se por fim

nada tiveres a dizer,

 ama-me somente

O silêncio nem sempre faz doer.

 

2004-07-03



Escrito por Jeanete Ruaro às 15h58
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Quase não se via preto sobre a mesa. A mãe reinava majestosa e soberana, no balanceamento das cores. Amarelo, verde,  marrom e incolor. O marrom era feijão mulatinho ou pardo, e os grãos do cereal bailavam um minueto dentro do prato, ladeados pela renda do caldo temperado. A boca faminta à espreita, tinha truncado em parte seu apetite, quando a mãe estendia o lábaro: Alface e cenoura! Mastigadas no talo dos dentes, as verduras deixavam o oco do estômago amaciado, como se envolto por edredon de plumas tivesse.Era um belo  um motivo para saudar alface e cenoura –‘O feijão não cai tão pesado’. –singelas e sábias palavras.

Na época, o incolor pesava mais. Na descida das cordas, o pêndulo desce célere e retilíneo, conservando o prumo para alcançar o fundo da vertente. Na subida... o peso é gigante. O peso é penso. O corpo aos poucos é o pêndulo. O tempo gravita, impõe o desgaste, e flexiona o corpo. O arco predomina na velhice.

O tempo passa, impõe mudanças, arrisca novos costumes.

Os jovens não gostam de cores variadas, e sequer imaginam a tarefa árdua dos antepassados, até trazer-lhes da fonte, o liquido incolor que sustente a vida, até as torneiras.

 Lhes atrai a cor vermelha. Vermelha do ketchup, e da imensa e esparramada  língua de fora de um hot dog.



Escrito por Jeanete Ruaro às 00h02
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Vista lateral da Casa do Imigrante no Bairro Feitoria, onde há 180 anos tudo começou

A manufatura de velas para navios foi o ponto de partida para o desenvolvimento das cidades do Vale do Sinos pelos imigrantes alemães. A infra-estrutura da fazenda real Linho Cânhamo, que daria origem a São Leopoldo, foi utilizada pelos primeiros 39 imigrantes que desembarcaram nas margens do Rio do Sinos no dia 18 de julho de 1824 e fundaram São Leopoldo. Os primeiros imigrantes se dedicaram à agricultura de subsistência e ao artesanato, segundo o historiador Telmo Lauro Müller, diretor do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo. 'Eram colonos enviados para trabalhar na terra e desenvolver a agricultura a partir da Real Feitoria do Linho Cânhamo. Também vieram soldados, mas foram enviados para outras regiões', frisa o historiador.

A segunda leva, de 81 imigrantes, desembarcou em São Leopoldo em 6 de novembro de 1824. 'Até a Revolução Farroupilha, em 1835, chegavam até cinco navios por ano, totalizando mais de 10 mil imigrantes', explica Müller. No Museu Visconde de São Leopoldo há documentos e fotos históricas dos primeiros imigrantes e a relação dos sobrenomes dos colonizadores. Um exemplo é o do pastor Wilhelm Rottermund, que chegou a São Leopoldo em 1874, assumiu a comunidade evangélica e criou uma livraria e uma gráfica. Além de fornecer livros em alemão para os imigrantes, Rottermund editou o jornal Deutsch Post. Seus bisnetos, Guilherme e Rolf, mantêm até hoje a indústria gráfica e a livraria.



Escrito por Jeanete Ruaro às 09h58
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São Leopoldo vai voltar no tempo neste domingo, a partir das 11h, e reviver o início de sua história, há 180 anos, quando chegaram ao Vale do Sinos os primeiros 39 imigrantes alemães. Uma reconstituição encenada por 70 atores promete emocionar quem assistir ao espetáculo às margens do Rio dos Sinos, exatamente no local onde os alemães desembarcaram, em 1824. Mais do que uma encenação, a programação deste domingo é um resgate histórico baseado em dados reais e fiel às informações sobre a época.

Encenação como a que será apresentada neste ano ocorreu apenas outras duas vezes ao longo da história da cidade, mas nunca com tanto significado. Na última vez, há cinco anos, praticamente só os leopoldenses assistiram. A primeira, em comemoração aos 150 anos da imigração, teve a presença do então presidente Ernesto Geisel e, de tão emocionante, ficou conhecida como a data em que o presidente chorou, conta Henrique Prieto, presidente da comissão dos festejos dos 180 anos da imigração.

De acordo com ele, as roupas, idades, gênero, proporção entre crianças e adultos e até a estatura dos atores que participam da réplica são fiéis aos levantamentos históricos. Ele salienta que há mais de um ano a comissão vem se reunindo para tratar dos festejos alusivos à data, que neste domingo têm seu ponto mais alto, já que marca a data oficial da chegada dos imigrantes. 'Será sem dúvida o momento mais importante.'

Os atores envolvidos na encenação ensaiam desde maio. O espetáculo, rico em sons, será apresentado às margens do Rio dos Sinos. Também será utilizado como palco o barco Martim Pescador, que chegará navegando no local da apresentação, revivendo a chegada dos alemães à terra berço da imigração na região. Além de convidados locais, o evento terá a participação do governador Germano Rigotto e de prefeitos de toda a região. Também participarão o príncipe dom Phillipe Tasso de Saxe-Corburgo e Bragança e o cônsul-geral da Alemanha, Hans Dietrich Bernhard. 'Tenho certeza de que será um momento marcante para todos', garante Prieto.

Após acompanharem a encenação, os convidados devem visitar os corredores da São LeopoldoFest, festa típica que começou no último dia 9 e se encerra neste domingo. À tarde está prevista a escolha da nova rainha da imigração alemã, que irá divulgar os festejos de 2005 alusivos à data.





Escrito por Jeanete Ruaro às 09h51
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Veio o sol

você veio

Riso farto

mer

gu

lhou

entre meus

fartos seios

 

Ardente sarça

Eriçou-se minha alma.

 

Da pele em pêlo

amansada a chama

gravitam os pêlos

em tua palma.

 

21/07/04

 

 

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 15h40
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20 de julho de 1969- Os pés do homem tocam pela primeira vez o solo lunar

No cimo da montaria

(Meia lua, lua inteira)

o mundo é diferente 

Os arreios pesam

a marcha do pulso engana-se

a feição recua

ao interior metálico

 

O prumo do relógio

volteia involuntário

O jato da garganta brota,

e volta no eco das bordas

Na auréola da pedra da íris

solfeja o grito úmido

de quem reconheceu

a mãe à distância:

- A terra é azul!

 

20/07/04

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 10h26
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Busquei o riso largo

que brinca em teu rosto

quando estás feliz

Busquei  tua voz, que sempre

antecede tua presença.

Nada encontrei.

Ainda estavas ausente

Fiquei no aguardo

Recôndita, entre

 

a dança das cortinas

 

Sentindo sobre as coxas

 

o incômodo farfalhar

 

do teu pijama de cetim

 

que vesti, para pensar-te meu.

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 18h32
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Linhas enroladas

Velas a meio mastro

Terra à vista, ato-me.

Nestas horas não imirjo no sonho,

não componho

Partícipe  da realidade,

não tenho medo das horas

nem dos  minutos

No eterno agora do tempo

me trazem medo os segundos

(na dissimulada teia do dizer nada)

a hora velha entre os ponteiros

poderá cair no esquecimento.

 

     J/R 2004



Escrito por Jeanete Ruaro às 14h36
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Queridos amigos. Lamento se não puder visitar os blogs como é meu desejo (e meu vício). Não sei se vou postar amnhã e depois...Estou um pouco dodói, e com o frio que faz por aqui, apesar do ar condicionado não dá para ficar no pc à noite. Estou na base de um chá quentinho, e indo à cama. Boa terça a todos.



Escrito por Jeanete Ruaro às 21h31
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Meu fado é cantar.

Canto por encanto,

canto por enfado,

canto no meu canto,

canto publicado...

Mas me encanto

e admiro tanto

esse teu riso chorado

 

Luiz Tarciso

 

O poema que apresento hoje no meu blog, é de Luiz Tarciso,  que gentilmente o colocou como comentário a um poema meu no ‘Encadeados’, no seguinte endereço  http://encadeado.blogspot.com/  Vale a pena conferir o agradável cantinho formado pela nossa querida Loba, por Régis Marques, Luiz Tarciso e eu, que me sinto feliz e grata por estar ao lado destas feras!



Escrito por Jeanete Ruaro às 09h53
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1)

ÚNICA CERTEZA

Com certeza e valimento

desde a hora do parto

a nossa vida parte

2)

NOTAS EM SUSPENSO

Longo e silencioso

nosso beijo é canção

com as notas em suspenso

3)

DE LOUROS E ESPINHOS

Horas boas são louros

Horas más são espinhos

O que nos cabe, é dosá-las na coroa

 

 

 

 

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 09h54
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Humana

 

Ás vezes, neste mundo desvairado

Piso em flores que desmereço

Como as maçãs que não mereço

E lanço ao olvido o brilho das estrelas,

Que cai de graça sobre a minha cabeça.

 

Arrependida, olhos fixos no solo

Procuro cada pétala, casquinha da fruta,

Ou resquícios cintilantes, sobrando ao remonte

Enconchada, na carapaça aquecida

das desculpas esfarrapadas.

Confesso então, minha condição: Sou humana!

 

J/R 2003



Escrito por Jeanete Ruaro às 22h59
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Escrito por Jeanete Ruaro às 20h14
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