Mar da Poesia


 

Com quantos calos nosso olho chora

a longa estrada do inverno?

 

Quantos lós são necessários romper

para parir o amor?

 

 

O verbo cala

O olho espreita

A boca rasga

(um sorriso estreito)

 

Lá no alto

peneiram-se nuvens

 

Por perpasse do ló,

pacientemente

o céu está parindo

o sol

 

Parto natural

sempre  é demorado

 

No aguardo

da nova estação

‘primavereio’

olor de orquídeas

 

J/R  2004

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 15h30
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O poema 'Evidência ocular', é de autoria de Cristiano Silva, excelente 

poeta. Sugiro uma visita ao Quintessência.

http://quintessencia.h2c.net  a página é ótima. Justifico a imagem

que aparentemete não tem nada a ver: O moço é gaúcho como eu.

 

 

É triste

o olhar

da ausência

posto no rosto

O olho

verte

uma lágrima

e desconfia

 

Se um pelo

a pele

não mais

acaricia 

(o amor pôs-se

em fuga)

a mente paira...

 

Já não quer

comandar

mais nada

 

J/R  25/08/04

 

EVIDÊNCIA OCULAR

A fala engasga
Julgada
Gozada
Calada

 

Na garganta

 

Nada
Pelo não dito
Vezes isto
Por aquilo

Não sobe
Nem desce

Empasta
A língua

 

Na mente

Tudo
Fumaça
Fugindo
Pelo grito
Do olhar.

Cristiano Silva 



Escrito por Jeanete Ruaro às 10h19
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No rastro da noite

vi quando vinhas

com teus passos de sombra,

e com teu eco tardio

 

Açoite lanhando

o lombo do sonho

 

Na úmida alfombra

trazias oculta,

a espada do ódio.

 

Fio acirrado no esmeril,

insurgiu-se  oblonga

confirmando o desafio.

 

E decapitaste... inclemente

qual soldado romano

o penúltimo gesto do meu amor

negando-me um beijo

 

O último, foi a bruma

que emudeceu meu canto

e sentenciou calado:

tudo se perdeu

exceto o salitre do pranto

que escarpou a face

e deslizou salgado...

 

J/R 2004/08

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 23h42
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 Na vala da chuva     

a manhã   

resvala

A tarde

premedita sestear

molhada

 

Os cobertores

recolhem o corpo

O que antes ardeu,

amontoou-se:

parco pó!

Só...

cinzas de agosto

 

J/R  08/2004

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 10h46
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Teu olhar é armadilha

Escumilha, tecendo ardis de estrelas.

Nas bordas de tuas íris

(como quem sabe que o olhar alheio

está riscado de pétalas),

meus olhos prisioneiros

borboleteiam azul céu.

Mais uma vez amanheço casulo

E com sabor de caça, cintilo

 

J/R 2004

 

Nota: A frase que está entre parênteses

me foi enviada por Mário Cezar, amigo

autor do blog  http://mariocoivara.blog.uol.com.br/



Escrito por Jeanete Ruaro às 23h43
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Lamento

 

Sorri

Tua boca tão próxima!

Olor doce,

anis, madressilvas e mel

Tua pele tão quente

roçando

(entre)

meu ventre.

Sonhei...

 

Desperta,

notei

O alforje que te guardava,

peito aberto,

a alma e o coração exposto

genuflexão aos pés do leito,

sumiu.

Teu corpo procurou outros ares

Verguei-me aos pesares

Ante tua ausência

Chorei.

 

J/R 06/2004

 

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 10h43
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         I

Meu olhar

     sempre dobra a esquina

antes de mim.

Todas as vezes que te vê,

meu corpo chega atrasado

 

) e o que era para ser alegria

se transforma em tristeza(

 

         II

Se todo poeta é um fingidor...

O melhor dos poetas

é aquele que finge tão bem,

que acaba crendo nas próprias

palavras.

 

  J/R 2004-08-12

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 10h55
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Vou sair

à passear contigo

Braço dado

com teu sorriso

mãos no bolso

do teu coração

 

Sem sete chaves

segredo exposto

(trazes contigo

levo comigo)

saudade, desejo,

sofreguidão

 

Tilintam as taças

Tulipam as bocas

A pele roça

Alvoroço no leito,

amor-perfeito

se torna então

 

J/R 08/04

 

 

 

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 14h31
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Lufa     

 

As folhas levadas

Em lufas de vento

Procuram espaço

Um porto um abrigo

Desprovidas de seiva

Desprovidas de vida

Varizes expostas

Só querem dormir

 

As rosas também,

Formosas que foram

O inverno descarta.

As pétalas cobrem

Um caminho estreito

Enquanto espreito

Lamento e saudade

O veludo secando

Por onde hás de voltar.

 

Se voltares, é vida!

É broto brotando

É flor se abrindo

É o céu se despindo

Sem nenhum pudor

Mostrando ao mundo

Suave prelúdio,

O retorno do amor.

 

Se não voltares, é morte

É broto sem sorte

Que o tufão do tempo

Ao pré-parir abortou.

 

10/09/03 J/R   



Escrito por Jeanete Ruaro às 10h03
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Foto: Insólito   Fonte:  domquixote.blog.sapo

 

Na primeira vez em que te perdi

fugiu-me a aurora da manhã

com suas cores

Céu seco, sem resquício matinal

olhar túrgido por nuvem plúmbea

boca ardida repleta de sal

guardei na garganta,

o fio dos dissabores 

 

Na segunda vez em que te perdi

mergulhei no deserto vazio

dos lençóis revoltos,

e envolvi-me em dores.

Cerrei cortinas e vidraças

e me guardei só

Náufraga de ti, soçobrei

pó.

 

J/R 05/ 2004   23:45hs

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 14h21
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Fonte: iraiwebsite.com   

    I

Cisquei

estrelas

no céu

da tua boca

 

Guardado 

no porta-retrato

teu sorriso largo

salpicou de prata

a moldura

 

     II

No galope,

redirecionei

teus cabelos

Sobre o leito

feito lençóis,

guardo estendidos

teus caracóis.

 

      III

Não consigo

beijar-te

com a calmaria

do tom azul.

Beijo-te sempre em vermelho

Trago o coração na boca

 

 J/R  2004



Escrito por Jeanete Ruaro às 10h20
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Hoje não há poesia. Hoje reverencio um amigo que partiu. Partiu para sempre. De origem muito humilde, começou ainda criança, aos dez anos de idade a labuta pelo pão de cada dia, em uma carvoaria. Já adulto, fez tarefas árduas, trabalhando com forjas. Depois tornou-se diarista jardineiro junto a nossa família. De leitura parca, conheceu tardiamente as histórias infantis,  através das palavras lidas pela  minha filha. Acompanhou os passos lépidos de minha mãe extirpando cada gramínea desnecessária, e que viesse a importunar o roseiral. Tornou-se de uma fidelidade ímpar, e lentou os próprios passos para acompanhá-la, quando os passos dela já tinham se tornado trôpegos. Com lágrimas nas mãos, enlaçou a alça do seu esquife. Voltou a sorrir, e reinventou a infância que não teve, jogando bola com meu neto, e devolveu ao meu rosto o sorriso, quando me convocava para ser o juiz da partida. (É insidiosa a penalidade máxima do câncer)

O juiz da partida suprema chamou-o para si de maneira precoce. Deixo neste meu espaço virtual, o que ele mais gostava de cultivar: Uma rosa branca. Branca e pura, como é sua alma.



Escrito por Jeanete Ruaro às 10h11
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Imagem: Aquarela de Márcio Mello

 

Transgride.

Não volta na hora marcada

para  jantar

Volta tarde.

Esquece o champagne

Estala teu grito de sede

pela íris,

e te embebeda com o suor da tulipa

Despe a mesa  sem tirar os pratos

Sopra as velas

Brande no ar os castiçais,

(luta, mas não sê Dom Quixote)

 e aflora em virilidade

Esquece os colchetes da roupa

Rasga-a

Começa pelo fim

Faz amor crente que ainda há verdor

em excesso na minha terra

Depois... depois sim

Podemos bailar uma valsa de Strauss

como se fosse o prelúdio

 

     J/R 01/08



Escrito por Jeanete Ruaro às 16h47
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