Mar da Poesia


 

   Elegia para Edy    

 

Não pensei que restasse tão pouco

Alguns velhos vestidos

sobre os cabides,

algumas meias meio escondidas,

um casado de lã eriçada,

e uma gola de pele de lontra

Um batalhão de taças se aproxima

Ímpia, dedetizo-as.

Olfato apagado...tateiam

Tecem a espera, latejam intemperanças,

roendo o velho livro de receitas

Nunca fui o que sou;

Sou saudade de ser criança

Nunca fiz o que faço;

Tranco meu coração no brete,

e te busco em qualquer

mágico desvão

Nunca soube,

o que agora sei;

Na saudade, em mim ainda pulsas

 

11/2004



Escrito por Jeanete Ruaro às 16h18
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Quando o silencio tocar tudo que é real,

e meu canto de amor não ecoe,

e escorra  suave,

por teus tímpanos,

não digas que me amas

Não reveles onde meu desejo te leva

O que queres ou o que escondes

Nem sussurres uma oração de amor

Deixa que tua alma emudeça

e que assim eu creia em ti,

com a singeleza

de uma rara estrela diurna

a irromper em brilho

num silencioso amor.

 

J/R  11/2004



Escrito por Jeanete Ruaro às 09h46
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Chove

Teu beijo líquido

inunda minha boca

Liquido a minha sede

Trafego lenta

e cuidadosamente

pelos aclives do teu corpo

 

no ápice do turbilhão,

rompes meus diques

limites e tensões

em velocidade mutável

 

A manhã resvala saciada

A tarde premedita bisar o poema

 

J/R 11/2004

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 11h43
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Queria...

Morar no velho calendário

Que trazes no bolso do paletó.

Aplacar  para sempre o pó

De teu livro, na mais rara edição

E dela sentir ciúme, por ser dela,

O primeiro toque da tua mão.

 

Ser a lágrima pendurada no teu olho,

Quando arrancaste da crisálida,

Com tamanha dó, a borboleta  azul,

 Que colaste sobre o teu primeiro soneto.

 

Queria...

Estar no teu testamento.

Herdar todas as tuas letras

Abatidas nas margens,

E montar cada verso meu,

Com as rimas que sobram do teu poema

E assim reescrever nosso primeiro encontro.

 

Queria...

Esquecer tudo que está escrito

E ocupar as linhas em branco do teu coração

 

  J/R

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 22h55
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