Queria...
Morar no velho calendário
Que trazes no bolso do paletó.
Aplacar para sempre o pó
De teu livro, na mais rara edição
E dela sentir ciúme, por ser dela,
O primeiro toque da tua mão.
Ser a lágrima pendurada no teu olho,
Quando arrancaste da crisálida,
Com tamanha dó, a borboleta azul,
Que colaste sobre o teu primeiro soneto.
Queria...
Estar no teu testamento.
Herdar todas as tuas letras
Abatidas nas margens,
E montar cada verso meu,
Com as rimas que sobram do teu poema
E assim reescrever nosso primeiro encontro.
Queria...
Esquecer tudo que está escrito
E ocupar as linhas em branco do teu coração
J/R
Escrito por Jeanete Ruaro às 22h55
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