Mar da Poesia


Com um poema de Vinicius de Moraes, deixo meu blog

em ‘pause’ até depois do carnaval. Peço desculpas

aos amigos que fiz na Net e nos blogs por não

conseguir ler e comentar todos os que eu costumava

freqüentar.  Beijos a todos.

 

Marinha

 

Na praia de coisas brancas

Abrem-se  às ondas cativas

Conchas brancas, coxas brancas

       Águas-vivas.

 

Aos mergulhares do bando

Afloram perspectivas

Redondas, se aglutinando

       Volitivas.

 

E as ondas de pontas roxas

Vão e vem, verdes e esquivas

Vagabundas, como frouxas

      Entre vivas!

 

Vinícius de Moraes



Escrito por Jeanete Ruaro às 09h43
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Lembrando uma saia do Sul

Pelas manhãs, acordavas os pássaros

Com teus passos

Ombros pensos, trazias o cesto

Trigo e hortaliças

Tua faina era a festa do desjejum

Teu amor refletido no brilho mobiliário

 

 A tarde, inventariavas

O olor do café aquecido.

Os avós, neve que caía da colher,

Eram açúcar em dobro

Colher tocando o chão das rugas

Driblavam o amargor, com mais um torrão.

 

Conhecia-te a face agoniada,

O cansaço instalado pelo solfejo

Das brasas no ferro de  engomar

As roupas chiavam dor, no ardor da quentura

Todas tinham a estrada

aplainada pelas tuas mãos

 

A estrada dos meus cabelos

Suplicava a plaina do teu carinho

E nem sempre havia sobras

Tua tez cochilava a brancura branda,

E teu corpo vergava-se ao ranger dos ossos

(A fonte líquida da vida pesa na roldana do tempo)

 

continua>



Escrito por Jeanete Ruaro às 23h23
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Tua música, Deus em alinho,

No cântico sacro da sexta badalada

Que determina o entardecer

Era o convite a bandeja.

Sempre lauta, que servias

De sobejo, antes da canção de ninar.

 

As noites no inverno eram longas.

Como longas mangas de lilases,

Onde o vento na passada

Lambia bem de breve os sabiás.

Insuflados aos cuidados do ninho,

Eles guardavam o prévio da nova cantiga.

 

A coruja  ocupava o fio, e o pio

Era orquestrado pelos grilos.

A vela arribava a saia, e pela

Caravela de sopros,

A sombra das cortinas eram fantasmas

Emparedados, com vestimentas de monges.

 

Ria do que rias. Ria, (sem entender) quando lias

Na língua que não era a nossa.

E no excesso de consoantes,

Os sapos eram loas, e os reis coaxavam.

Teu bairro conhecia-te pelo sotaque

Teu bairro conhecia  tuas raízes.

 

Qual cisco teria rompido a barreira

Dos teus cílios, tropeçado

No cadarço de estrelas de tuas íris,

E incitado o derramar de tua lágrima final?

Eu nunca soube qual!

No entanto, a partilha foi fácil.

 

Herdei a unicidade da tua ninhada,

A multiplicidade antecipada de tuas rugas,

E a unção do que repete a lembrança:

A voz do vinho, que jamais se esquece de onde veio.

 

J/R 27/02/04

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 23h21
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Intempérie

 

Chama acesa

Amor proclamado aos quatro ventos

Tempestade

Enxurrada de lágrimas

Chama extinta

Obtusão dos pensamentos

Escrito por Jeanete Ruaro às 17h26
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Depois que a lua guardou os lençóis
uma voz amorosa inundou o vale:
- Que se estenda agora o brilho do sol.
Que se desate o nevoeiro impertinente,
que mude de cor o frio da agonia.
Que o vento da dor se torne fugaz,
e que qualquer tipo de guerra não sobreviva
(qualquer guerra é sempre um açoite)
A luz condescendente, transigiu
invadiu a vidraça, e amanheceu comigo
Calorosamente, a felicidade desenhou
um riso de pétalas de margaridas
em meu rosto

J/R

 

PS: Luis Carlos Ruaro enviei dois e-mails ao endereço no seu comentário, e eles voltaram.Deixe o seu e-mail correto por aqui, ou em jmbruaro@uol.com.br



Escrito por Jeanete Ruaro às 08h54
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                     She

 

Amanhecia. Ela voltava. No braço, trazia três cortes.

Nos cabelos, uma Dama da noite. Fechada.

No ventre,dois pares de pezinhos, criando uma

nova brincadeira chamada inocência.

Na boca? Sorriso nenhum sabor absinto

mergulhado em vórtice de emese.

 

J/R 2005



Escrito por Jeanete Ruaro às 09h34
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Escrito por Jeanete Ruaro às 09h23
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Fonte: www.avessotv

 

Avesso 

 

Perdendo-te

Esqueci de mim

Não sei mais quem sou

Preciso reencontrar-te

Assim me reconheço

Sou teu avesso

 

2005/01



Escrito por Jeanete Ruaro às 22h15
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