Mar da Poesia


Imagem: Salvador Dali

Nada me emudece

 

Nada emudece minha voz

Não há anjo que a desencontre

de teus ouvidos

Nada despermanece  as estrelas

por mim desalojadas do céu,

e que dispus acopladas na tua boca

Não há deus que cerre

vagarosamente as cortinas

do meu sorriso

Nenhuma distância impede

meus braços, feixe de nervos

estendidos ao estertor,

o enlace à teu corpo

Não sou exata

Nunca serei igual a alguém

Tenho a largura do sonho

Te amo

de maneira desmesurada.

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 09h24
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À espera da infância

 

Se voltasses -auspiciosa e colorida-

De um ventre um broto,

Um botão, nova flor nascida

-Como quem espera um bem sempre alcança,(?)

Matarias em mim

Esta saudade, ingênua... mansa

E sem qualquer mudança de tom

Ou matiz,

Explodindo em canção

Eu seria outra vez criança



Escrito por Jeanete Ruaro às 09h45
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Escrito por Jeanete Ruaro às 22h30
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Agradeço de coração a bela homenagem que me fez Francisco Dantas em seu blog, com suas gentís palavras e a publicação de um poema meu. Esta nossa turma de blogueiros amigos é memo o máximo! Ora se é! Esta união mesmo que virtual nos faz crer que amizade é uma das melhores coisas que existem. beijos a todos.



Escrito por Jeanete Ruaro às 22h05
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Metamorfose induzida

 

Protático. Simplesmente protático. Assim tornou-se o mundo daquele homem confinado em uma cela de prisão. Ele ouviu o estampido do tiro, viu o brilho de luz saindo do cano fumegante da arma, e um corpo caído ao chão. Tinha porém, um porém. A arma que disparou o projétil, não estava e nunca esteve em suas mãos. Confundiram-no com o verdadeiro assassino. Foi reconhecido por testemunhas que não se sabe de onde vieram. Transeuntes, quem sabe... Talvez o assassino fosse alguém parecido com ele...quem sabe...

Um fato era certo: Ele estivera no lugar errado, na hora errada.

Antevendo-se condenado, imaginou vinte anos sendo sugados de sua vida. Os melhores anos. Anos em que se está no auge da forma física, progride no emprego e sobe de posto, ama a mulher e os filhos, forma enfim, o sustentáculo de seu ninho.

Uma borboleta entrou na cela que ele habitava sozinho. A cela, de paredes ainda bem caiadas, era uma espécie de solitária, na pequena penitenciária  da cidadezinha do interior. Lá ele aguardava a transferência para uma cadeia maior, para depois ser julgado. Olhou a borboleta que, em revoada batia feito louca com as asas na parede. Um pó muito fino, esvoaçante , desprendia-se das asas dela e as fragmentava pouco a pouco, até que, reduzidas à metade, ela se viu impossibilitada de voar. Ele esperou paciente ela se grudar à parede e ficar ali, quieta, até empupar-se e virar crisálida.

Imaginou-se sendo ela.

Sua vida era isso: Uma pupa, com uma crisálida  a  espera de uma metamorfose. 

Pensou na sua mulher. O quê estaria ela fazendo? E os filhos? Que pães dormidos comeriam pela manhã? Será que os três tinham pão para comer?

Pensou no Estado. O Estado designaria um advogado para defendê-lo. Será que seria um dos bons?

- Presume-se que advogados designados de maneira graciosa para a defesa de alguém, não sejam os melhores, ou os mais competentes.-pensou. O que é de graça, ou está podre, ou vencido ou, não convence.

Depois se consolou a si próprio, pensando que não é regra, que há exceções.

      Aquele homem fez o caminho inverso da borboleta. Primeiro, estava na pupa, pensando depois, feito um tresloucado, começou a bater com a cabeça na parede. Bateu, bateu, até ver róseo, a parede caiada de branco, e sentir no peito o calor do sangue que lhe jorrava do nariz. Só então, gritou por socorro. Acudido pelo delegado, responsável naquele momento pelos poucos detentos dali, foi levado ao hospital da capital.  

No imenso salão o carnaval corria solto. Marchinhas antigas tilintavam e zoavam em seus ouvidos. Mamãe eu quero mamar...Sugava  seios fartos, amplos e imaginários, saciando a fome, que mesmo delirando, sentia. Saciava também no imaginário, a saudade da mãe, que perdera de vista já fazia tempo.Milhares de confetes caiam do alto, tal qual fosse chuva de estrelas cintilantes sob céu azulado. Carretéis de serpentinas voavam, e desciam lânguidas como cobras luxuriantes, e se enrolavam nos pescoços e nos corpos suados dos foliões. Ele era um deles. Um folião. Um  folião inocente que pagava com a sua sanidade o tributo de outros, e com as seqüelas das batidas a parcela de  seu próprio tributo.  

Uma insurreição de presidiários,  da grande penitenciária para onde ia ser transferido, acontecia naquele momento. Munidos de armamento pesado, e levando consigo reféns, os detentos em fuga, transitavam em alta velocidade rumo ao hospital. O mesmo, onde estava o inocente, e de onde pretendiam resgatar um companheiro de crime.

Fechava-se um ciclo, e começava outro. Mais uma vez estava no lugar errado, na  hora errada. Foi resgatado por engano e abandonado como insano.Vagou por átrios e praças, e para sua desgraça total perdeu a visão por estilhaços de uma bomba de gás lacrimogêneo.

- Olha o louquinho da praça! – gritam  os meninos que amiúde lhe atiram pedras por zombaria.

- Coitado do mendigo... – dizem umas poucas mulheres que lhe jogam algumas moedas.

- Queremos papai, - choram seus filhos, que não o viram mais.

- Não sei porquê não o tiram daqui? Só serve para que se tropece nele quando se está com pressa! – comenta um dos dois políticos passam por ele em correria, preocupados com sua ensaiada apresentação e assoberbados com o conteúdo fantástico de suas maletas repletas de dossiês de desculpas esfarrapadas. 

 

Protático =A primeira parte na ação dramática na qual o argumento é anunciado e inicia seu desenvolvimento



Escrito por Jeanete Ruaro às 09h34
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