Amor sem freio
Encilha teu cavalo alado
E propaga este amor a galope pelo infinito
Mas, deixa este amor livre.
Não lhe apertes o arreio
Não o puxes pela rédea
O amor não gosta de freio
O amor prefere andar solto
Ainda que às vezes, revolto
Não o deixe exposto à maldade
do fuxico alheio.
Ele quer a certeza
Quer a verdade, nua e crua
Ainda que doa.
Ama assim, e faz deste amor o espelho da tua vida.
O reflexo da liberdade não mascara o galope do amor.
Escrito por Jeanete Ruaro às 14h50
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Tu, lágrima
Vieste...
Contornando o globo,
salgando a íris.
Descendo
a escada da face
dilatando os poros
e delimitando as fronteiras
das espinhas.
*
Desenhando a tua estrada
por entre o peso da maquiagem
até repousares afinal
como um frágil
cristal aquecido,
no vão da canaleta
entre meus seios.
E ali te quedas, no aguardo
de um sutil movimento meu.
JR
Bagaço
Borrando a maçã do rosto
A lágrima líquida
Liquida o frescor da fruta
JR
Escrito por Jeanete Ruaro às 09h25
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Sem
Ele guardava as lágrimas no fundo dos olhos ressequidos. Buscava em partículas de ar o motivo de ser. Ofegava. Amanhecia, era preciso correr, antecipar-se aos outros para catar os resquícios sobrantes de outras mesas. (O lixão é concorrido para os sem.) As pernas continham a pressa da pele solitária e enrugada, último vestígio de que um dia houvera carne sobre os ossos ora semi-retorcidos. A boca escancarava a ausência de dentes, igual ao tamanho da fome. Comida. Só procurava comida, quando a morte destronou-lhe o sonho e o tangeu. Uma folha de jornal trazida pelo vento se acomodou sobre os seus pés. A figura projetava lauta ceia natalina: Peru com castanhas, torta de nozes, sorvetes e vinho. Todos riam. Papai Noel ria na estampa, rostos bem aquinhoados riam, detentores do poder riam...(-se).
Na toca da boca do defunto ‘sem’, um enxame de moscas, brancas, verdes, azuis e amareladas aguardava ululante pelo início da festa assim que o sol nascesse.
Escrito por Jeanete Ruaro às 22h55
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