Mar da Poesia


Tela: Dream -Aldo Luongo

 

 

Sede

 

Não dista...

Acércate más

y más...

Restringe

a luz do sol ao último raio do dia

que infesta o rio

e os galhos do arvoredo

com frestas de prata

Dança

a dança das horas

e tatua

meus olhos com salpicos

de estrelas

Banha-me,

depois me  colhe

Tenho sede

da tua saliva semente jovem

que transforma meu corpo em silo

no rito solene de perpetuar a minha juventude

 



Escrito por Jeanete Ruaro às 16h44
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Escrito por Jeanete Ruaro às 16h38
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Maria procura o condimento

Condimento pra quê? se na panela vazia

não há nada pra cozer. 

Procura na prateleira

Que besteira! Se de fio a pavio,

tudo está vazio. 

Os filhos choram e gritam seu nome.

As barriguinhas roncam e avisam:

Ilusão não se come!

                 

O homem dela, há pouco

foi embora com outra .Ele acha que fez jus

A inanição leva os filhos de Maria ao SUS.

Maria pede clemência:

Só desta vez Senhor, olhai por nós

E salva a pequena Inocência

                  

Apenas uma flor branca 

Agregada a uma cruz

É jogada sobre o pequenino caixão

Um consolo, uma frase,

Uma metalepse:

Ao céu o Senhor guiará, a pranteadinha pela mão!

                   

A esperança se faz outra vez presente

Na vida tão sofrida desta fatia do povo

Há um grito de dor de pré-eclosão saindo das entranhas

Rasgando o ventre rotundo, ainda diante das carpideiras,

Vem aí senhores, mais uma boca pro mundo

Maria está parindo de novo

                    

-Este sim, eu crio rijo e forte-

Jura Maria três vezes, diante da cruz

-Terá o seu nome  Senhor. Atenderá por Jesus

 

De lá para cá, pouca coisa mudou. O pequenino Jesus faleceu há dois anos. Não teve flor branca sobre o caixão, nem sequer uma cruz. Maria continua analfabeta e desmanchou a prateleira. Com a lenha que fez, ainda coze ilusão.Jurar, nunca mais jurou nada.

 

PS: 1) Foi lamentável ver a depredação das mudas de eucalipto e instalações de pesquisa e sementeiras no RS. E um verdadeiro batalhão de mulheres pertencentes ao MST sendo usadas, para reivindicar direitos que nem elas mesmas sabem  o porquê e para quê servem.

No dia que comemoramos O dia da Mulher é um ato de covardia colocá-las como escudo, frente à frente com  os policiais em nome da reinvindicação.

 

PS: 2) Aos amigos peço desculpas pela ausência, e agradeço todo carinho que demonstraram por mim. Volto em doses homeopáticas. Loba, um beijão a você!



Escrito por Jeanete Ruaro às 16h33
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